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Orçamento Pessoal: como fazer passo a passo com exemplo prático

Fazer um orçamento pessoal significa organizar o dinheiro que você espera receber e as despesas que pretende pagar em determinado período. Na prática, ele ajuda a responder três perguntas básicas: quanto entra, quanto sai e quanto deve sobrar — ou faltar — no final.

Você não precisa começar com uma planilha avançada, um aplicativo ou uma fórmula pronta de divisão do salário. Papel, bloco de notas ou uma planilha simples já podem funcionar. O importante é conseguir registrar seus números e chegar a um resultado que ajude na tomada de decisão.

Renda disponível − despesas planejadas = saldo previsto

Mas calcular o saldo é apenas uma parte do processo. Depois, você precisa entender o que esse resultado significa e decidir qual será o próximo ajuste.

Neste guia, você verá como montar um orçamento mensal do início ao fim, acompanhará um exemplo preenchido e poderá usar um modelo simples para organizar seus próprios números.

O que é orçamento pessoal e o que ele precisa mostrar

O orçamento pessoal é uma ferramenta de planejamento e organização das receitas e despesas de determinado período. O Banco Central apresenta planejamento, registro, agrupamento e avaliação como etapas que podem fazer parte da elaboração do orçamento.

Neste artigo, vamos trabalhar principalmente com o orçamento mensal. O próprio material oficial admite diferentes períodos e mostra que o mês costuma ser uma referência prática quando receitas e contas seguem esse ciclo.

Um orçamento funcional precisa mostrar pelo menos:

  • quanto dinheiro estará disponível;
  • quais despesas estão previstas;
  • quanto essas despesas representam no total;
  • qual será o saldo depois delas.

Para deixar nossa jornada mais simples, no Rumo Certo Financeiro vamos separar dois focos.

Neste artigo, Orçamento Pessoal, a prioridade é montar o plano do período. No conteúdo Controle de Gastos, aprofundaremos o acompanhamento do que realmente aconteceu e a comparação entre planejado e realizado.

Essa separação organiza nosso conteúdo; não significa que planejamento e acompanhamento sejam atividades desconectadas. Na prática, uma boa gestão do orçamento depende das duas.

Se você ainda está definindo objetivos e sua direção financeira de forma mais ampla, vale começar por Planejamento Financeiro.

Como fazer um orçamento pessoal passo a passo

Não existe uma única maneira de montar um orçamento. O próprio Banco Central apresenta um método possível, e não uma fórmula única obrigatória.

O objetivo é criar um processo simples o bastante para ser mantido e completo o suficiente para representar sua realidade.

1. Defina a renda que realmente estará disponível

Comece registrando quanto dinheiro você espera ter disponível no período.

Para quem recebe salário, use como referência prática o valor que efetivamente ficará disponível depois dos descontos — em vez de organizar despesas sobre um valor bruto que não chega integralmente às suas mãos.

Se houver outras fontes de renda, elas também podem entrar no orçamento, por exemplo:

  • salário;
  • aposentadoria;
  • pensão;
  • comissões;
  • trabalhos extras;
  • aluguel recebido;
  • outras entradas.

O cuidado principal é não tratar como garantido um dinheiro que ainda é incerto. A SUSEP, por exemplo, orienta trabalhar com receitas que efetivamente se espera receber, distinguindo entradas fixas das variáveis.

Se sua renda varia bastante de um mês para outro, veremos mais adiante uma forma de utilizar o histórico sem transformar uma média simples em regra universal.

2. Levante suas despesas

Depois, identifique para onde o dinheiro está indo ou precisará ir.

No levantamento inicial, procure registrar uma fotografia suficientemente completa do período, inclusive pequenos gastos que podem parecer irrelevantes isoladamente. Banco Central e SUSEP destacam justamente que vários valores pequenos podem se acumular e distorcer a percepção de quanto realmente foi gasto.

Alguns exemplos:

  • aluguel ou prestação;
  • condomínio;
  • água;
  • energia;
  • alimentação;
  • transporte;
  • saúde;
  • telefone;
  • internet;
  • assinaturas;
  • lazer;
  • gastos pessoais;
  • parcelas e outros compromissos.

Se você ainda não sabe exatamente quanto gasta em algumas categorias, consulte registros recentes, como extratos, faturas, comprovantes ou anotações.

Primeiro, você precisa enxergar a realidade.

3. Organize os gastos em categorias

Uma lista com dezenas de despesas individuais pode ser difícil de interpretar. Agrupá-las ajuda a enxergar para onde está indo uma parcela maior da renda.

O Banco Central também utiliza agrupamentos desse tipo e ressalta que eles podem ser adaptados à realidade de cada pessoa.

Você pode começar, por exemplo, com:

  • moradia;
  • alimentação;
  • transporte;
  • saúde;
  • contas e serviços;
  • lazer e gastos pessoais;
  • despesas não mensais;
  • outras despesas.

Essas categorias não são obrigatórias nem universais.

Uma família com filhos pode precisar de educação. Outra pessoa pode ter despesas relevantes com animais, medicamentos, financiamento ou outra necessidade.

Use a estrutura como ponto de partida e adapte-a.

4. Inclua despesas que não acontecem todos os meses

Um orçamento mensal pode parecer mais folgado do que realmente é quando considera apenas contas que aparecem todos os meses.

O Banco Central recomenda lembrar também de compromissos sazonais e já assumidos, como impostos, seguros, matrículas e parcelas futuras.

Uma técnica simples é antecipar no orçamento parte de uma despesa previsível.

Imagine um gasto de R$ 1.200 daqui a 12 meses:

R$ 1.200 ÷ 12 = R$ 100 por mês

Se faltarem seis meses:

R$ 1.200 ÷ 6 = R$ 200 por mês

Isso não significa que a despesa aconteça mensalmente. O cálculo apenas mostra quanto aquele compromisso futuro representa, em média, nos meses que ainda faltam.

Se você decidir usar essa provisão, o valor precisa permanecer reservado para o gasto futuro.

Se você apenas anotar R$ 100 como provisão e gastar esses mesmos R$ 100 em outra coisa, a preparação para a despesa não aconteceu na prática.

Também não é necessário dividir toda despesa futura dessa maneira. É uma técnica de planejamento útil quando o gasto é previsível e seu valor pode ser razoavelmente estimado.

5. Some as despesas e calcule o saldo previsto

Depois de registrar e organizar os gastos, some todas as despesas planejadas.

Em seguida:

Renda disponível − total de despesas = saldo previsto

Se sua renda disponível for R$ 5.000 e as despesas somarem R$ 4.200:

R$ 5.000 − R$ 4.200 = R$ 800

O cálculo é simples.

A parte mais importante vem depois: o que esse resultado diz sobre sua situação?

Exemplo de orçamento pessoal preenchido

Os valores abaixo são hipotéticos e servem apenas para demonstrar o método. Eles não representam uma média brasileira, uma divisão recomendada de renda nem um orçamento ideal.

Considere uma pessoa com renda líquida mensal de R$ 5.000.

CategoriaValor planejado
MoradiaR$ 1.500
Contas da casaR$ 350
AlimentaçãoR$ 900
TransporteR$ 450
SaúdeR$ 250
ComunicaçãoR$ 150
Lazer e gastos pessoaisR$ 300
Assinaturas e serviçosR$ 100
Provisão para despesas não mensaisR$ 200
Total de despesasR$ 4.200

Agora:

R$ 5.000 − R$ 4.200 = +R$ 800

O orçamento apresenta um saldo previsto positivo de R$ 800.

Isso não quer dizer automaticamente que existem R$ 800 livres para consumo.

O valor representa uma margem que ainda precisa receber uma prioridade. Dependendo da situação da pessoa, ela poderá precisar considerar dívidas, reserva para imprevistos, metas, compromissos futuros ou outras necessidades.

O orçamento revela a margem. A prioridade dada a ela depende da situação financeira.

Seu saldo ficou positivo, perto de zero ou negativo: o que isso significa?

O Banco Central trabalha com três situações básicas de orçamento: superavitário, neutro e deficitário, dependendo da relação entre receitas e despesas.

Em linguagem mais simples:

ResultadoO que indicaPróximo foco
PositivoExiste margem previstaDefinir uma prioridade
Zero ou muito próximo de zeroExiste pouca ou nenhuma folgaRevisar e buscar margem
NegativoAs despesas superam a rendaIdentificar os ajustes necessários

Saldo positivo

Quando a renda é maior que as despesas planejadas, existe uma margem.

Exemplo:

R$ 5.000 − R$ 4.200 = +R$ 800

Isso é diferente de concluir: “Tenho R$ 800 para gastar.”

Antes de decidir o destino do valor, observe a situação completa. Dívidas, reserva para emergências, metas e compromissos futuros podem mudar a prioridade.

O próximo trabalho é dar uma função consciente à margem.

Saldo zero ou muito próximo de zero

Imagine:

R$ 5.000 − R$ 5.000 = R$ 0

Matematicamente, as contas fecham.

Mas existe pouca ou nenhuma margem para absorver um gasto subestimado, um compromisso esquecido ou uma despesa inesperada.

Nesse caso, vale revisar:

  • algum gasto ficou de fora?
  • alguma despesa foi estimada abaixo do que costuma acontecer?
  • existe um valor ajustável?
  • há compromissos futuros ainda não considerados?
  • existe possibilidade realista de criar alguma margem?

A ideia não é dramatizar um resultado zero.

É perceber que equilíbrio matemático e folga financeira não são a mesma coisa.

Saldo negativo

Agora imagine:

R$ 5.000 − R$ 5.400 = −R$ 400

As despesas planejadas ultrapassam a renda disponível.

A avaliação do orçamento pode envolver tanto revisão de gastos quanto investigação de possibilidades de receita; o próprio Banco Central inclui as duas direções em seu processo de avaliação.

Vale analisar:

  • quais despesas podem realmente ser revistas;
  • quais compromissos são difíceis de alterar;
  • se parcelas ou dívidas estão pressionando o orçamento;
  • se algum gasto foi superestimado ou pode ser reorganizado;
  • se existe alguma possibilidade realista de aumentar a renda.

Nem todo déficit é causado por pequenos gastos de lazer.

Em algumas situações, o problema pode ser estrutural e exigir tratamento específico de dívida, renda ou compromissos financeiros.

O orçamento ajuda a localizar o problema. Ele não resolve sozinho todas as suas possíveis causas.

Como fazer orçamento quando sua renda varia

Quem trabalha com comissão, presta serviços, é autônomo ou possui outras fontes variáveis também pode montar um orçamento.

O Banco Central recomenda utilizar o histórico de receitas e despesas para ajudar a estimar o período futuro e diferencia receitas fixas das variáveis. A SUSEP também chama atenção para o risco de contar antecipadamente com entradas incertas.

Uma sequência prática é:

1. Olhe vários meses anteriores. Um único mês pode não representar sua realidade.

2. Separe entradas recorrentes de receitas excepcionais.

3. Compare uma base de planejamento com seu histórico.

4. Ajuste o orçamento quando a renda real for conhecida.

Considere estes seis recebimentos hipotéticos:

  • R$ 4.800;
  • R$ 5.200;
  • R$ 3.900;
  • R$ 5.500;
  • R$ 4.300;
  • R$ 6.100.

Suponha que a pessoa pensasse em utilizar R$ 5.000 como base para assumir seus compromissos recorrentes.

O teste do histórico mostraria que essa renda não foi alcançada em três dos seis meses:

  • R$ 4.800;
  • R$ 3.900;
  • R$ 4.300.

Isso é um sinal de que R$ 5.000 pode ser uma base agressiva para despesas que precisarão ser pagas independentemente do resultado daquele mês.

A pessoa poderia testar uma referência menor e verificar se seus compromissos essenciais cabem nela.

Por exemplo, R$ 4.300 foi alcançado ou superado em cinco dos seis meses da simulação. Isso não transforma R$ 4.300 em “o valor correto”, nem cria uma regra de usar determinado percentil ou o segundo menor mês.

A função do exercício é mostrar como avaliar uma base:

Quanto mais sua sobrevivência financeira depender de repetir os melhores meses, mais frágil tende a ser o orçamento.

Não existe uma fórmula universal que determine que toda pessoa deve usar o menor mês, 80% da média ou qualquer outro percentual fixo.

A referência precisa considerar:

  • histórico;
  • estabilidade;
  • compromissos;
  • grau de previsibilidade da renda.

Depois, quando a renda efetiva do mês for conhecida, o planejamento pode ser ajustado.

Modelo simples para montar o seu orçamento

Agora use seus próprios números.

ItemPlanejado por você
Renda disponívelR$ ___
MoradiaR$ ___
AlimentaçãoR$ ___
TransporteR$ ___
SaúdeR$ ___
Contas e serviçosR$ ___
Lazer e gastos pessoaisR$ ___
Gastos não mensais provisionadosR$ ___
Outras despesasR$ ___
Total de despesasR$ ___
Saldo previstoR$ ___

Adicione, retire ou junte categorias conforme sua realidade.

O modelo também não depende de ferramenta específica. A SUSEP cita desde caderno até soluções digitais como possibilidades de registro.

Você pode utilizar:

  • papel;
  • planilha;
  • aplicativo;
  • bloco de notas;
  • outro sistema simples.

A ferramenta facilita o registro.

O orçamento é o processo que organiza os números e permite interpretá-los.

Se preferir organizar esses números em uma planilha, o Mapa de Organização Financeira do Rumo Certo Financeiro permite registrar o período e acompanhar os valores planejados e realizados.

Checklist: seu primeiro orçamento está pronto?

Antes de considerar o orçamento montado, verifique:

considerei a renda que realmente estará disponível;

fiz um levantamento suficientemente completo das despesas, inclusive pequenos gastos;

organizei as despesas de uma forma que consigo entender;

considerei compromissos previsíveis que não acontecem todos os meses;

se criei uma provisão para gasto futuro, preservei esse dinheiro para essa finalidade;

somei todas as despesas;

calculei meu saldo previsto;

entendi se meu resultado ficou positivo, próximo de zero ou negativo;

sei qual é minha próxima ação.

Se algum ponto ainda estiver em aberto, volte à etapa correspondente.

Fontes consultadas

Banco Central do Brasil — Caderno de Educação Financeira, Módulo 2: Orçamento Pessoal ou Familiar. Base principal para planejamento, registro, agrupamento, avaliação, receitas, despesas sazonais e interpretação do resultado. Acessar fonte oficial

SUSEP — Educação Financeira: Orçamento. Fonte complementar para registro das receitas e despesas, tratamento de pequenas despesas, renda incerta e ferramentas de acompanhamento. Acessar fonte oficial

Depois de montar o orçamento, acompanhe o que realmente aconteceu

O orçamento representa o que você planejou para o período.

Ao longo do mês, os valores reais podem ser diferentes: alimentação pode custar mais, uma conta pode variar ou alguma despesa pode não acontecer exatamente como previsto.

O acompanhamento e a avaliação fazem parte da boa gestão do orçamento.

No Rumo Certo Financeiro, vamos aprofundar esse trabalho separadamente para manter cada conteúdo mais útil e objetivo.

Depois de montar seu orçamento, o próximo passo é comparar:

planejado × realizado

Esse é o foco de Controle de Gastos, onde você verá como registrar o que realmente aconteceu e usar essas informações para melhorar os próximos meses.

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